A crise de 1929 evidenciou as falhas da estrutura econômica brasileira, principalmente a má organização e a falta de controle eficiente da produção; o abalo revolucionário indicou a necessidade inadiável de mudança.
Nesse contexto, novas idéias, como a organização científica do trabalho, eram mais do que bem-vindas.
O industrial Roberto Simonsen foi um desses pioneiros, ao imprimir em suas organizações as idéias de racionalização, promovendo na indústria paulista uma nova mentalidade no tratamento das empresas e nas relações de trabalho.
A Associação Comercial de São Paulo também agiu efetivamente para a divulgação dos princípios da racionalização. Em 1929, a entidade convidou o professor suíço Léon Whalter, que realizava estudos e experiências no campo da psicotécnica, para ministrar curso e conferências na sua sede.
A ação foi tão bem sucedida que deu origem à criação de uma comissão de especialistas, composta pelos professores Geraldo de Paula Souza, Monteiro de Camargo, Lourenço Filho e Roberto Mange, que estudaram o projeto de criação de um Instituto que cuidasse da organização científica do trabalho.
Essa comissão traçou o seguinte objetivo: “Reunir e aplicar todos os conhecimentos indispensáveis para se retirar do trabalho humano, com o mínimo de esforço e de risco, o máximo de proveito, quer para o empregado, quer para o empregador, quer para a coletividade”.
Nota-se aí uma clara preocupação com a integridade do homem, procurando um aumento de produtividade sem basear-se no aproveitamento inescrupuloso ou exagerado do esforço humano. ESSA ORIENTAÇÃO SERIA UMA CONSTANTE DO IDORT.
Apesar dos esforços, a tentativa da Associação Comercial de São Paulo não pôde prosseguir, devido ao pânico causado pelo desmoronamento econômico daquele ano.
No entanto, esses acontecimentos dariam força à determinação de Aldo Mário de Azevedo, engenheiro, administrador, industrial e profundo conhecedor das tendências da Europa e dos Estados Unidos de procurar os melhores níveis de racionalização do trabalho.
Por sua iniciativa, no final de 1930, começou a formar-se outro grupo, composto por empresários e administradores, que tinham como foco comum o gerenciamento do trabalho.
Na véspera de Natal de 1930, Aldo de Azevedo encontrou Armando Salles de Oliveira, então presidente do jornal O Estado de S.Paulo, que imediatamente, e de maneira entusiasmada, apoiou a iniciativa, o que constitui a comissão organizadora da entidade, composta por:
Aldo Mario Azevedo (industrial), Armando de Salles Oliveira (presidente do O Estado de S.Paulo), Gaspar Ricardo Júnior, Henrique Dumont Villares, Luiz Tavares Alves Pereira, Geraldo de Paula Souza (professor), Monteiro de Camargo (professor), Lourenço Filho (professor) e Roberto Mange (professor).
Indiscutivelmente, a maior parte do êxito dos trabalhos iniciais se deveu a Clovis Ribeiro, verdadeiro líder das classes conservadoras, e de Aldo de Azevedo, o elemento catalisador do movimento.
Em 23 de junho de 1931, em assembléia presidida pelo engenheiro Gaspar Ricardo Junior, fundava-se, em São Paulo, o Instituto de Organização Racional do Trabalho, com fins principal de MELHORAR O PADRÃO DE VIDA DOS QUE TRABALHAM EM SÃO PAULO E NO BRASIL, por meio da difusão e introdução de processos de organização científica do trabalho e da produção.
Esse era o único caminho que conduziria o país à igualdade das nações fortes e poderosas. Dos 92 sócios, apenas 8 assinaram a ata de fundação do Instituto, escolhendo Armando de Salles Oliveira (Presidente do jornal O Estado de S.Paulo) como primeiro presidente.